terça-feira, 20 de agosto de 2013

O comer neurótico!


Nunca se falou tanto em comida e nunca se comeu tão mal. Nunca se falou tanto em estilo de vida saudável ( #projetosmil caíram na rede!) e nunca se devorou tanta junk food. Parece contraditório, né? Ou não? O mundo endoideceu? Talvez sim! Ou não... Parece que comer – o simples e instintivo ato de comer, que, desde que o mundo é mundo, está ligado à sobrevivência (ufa!) e ao prazer – ficou complicado demais... Embarcamos no que eu chamo de querida neurose (de longe até que é bonitinha, mas de perto... cruz credo!).

Hoje, não comemos mais comida de verdade, comemos “nutrientes específicos”.  Jargões e termos científicos que outrora eram “privativos” de profissionais da saúde, nutricionistas e cientistas ganharam as ruas. Hoje todo mundo “sabe tudo” de alimentação ou acha que sabe. Fazer dieta virou moda (quem nunca fez ou pensou em fazer, levanta o dedo aí!). Tomamos leite porque é rico em cálcio (ou não tomamos, pois lactose “faz mal”...). Não comemos castanha do Pará, e sim, ingerimos A FONTE de selênio. No supermercado, procuramos o “gluten free”, o “zero lactose”, o “rico em fibras”, o “enriquecido com vitaminas”...  e, de quebra, o “light”, pois não “pesa na consciência”. Gordura? Nossa (!!!)... essa sim está amaldiçoada até a décima geração. E pra que comer bifinho se temos o “wheyproteinzinho”, não é mesmo? Vai uma farinha de feijão branco aí?!

Na boa, tenho saudade dos velhos tempos em que "comíamos comida”. Nós não pensávamos tanto no que comíamos, mas, incrivelmente e instintivamente, nos alimentávamos bem melhor! Não nos preocupávamos tanto em sermos magros a qualquer custo para entrar na bendita calça tamanho zero. Nem ousávamos imaginar que um dia existiria uma tal de “barriga negativa” (hãn?!), padrão de beleza perseguido por 9 entre 10 mulheres...

Não. Eu NÃO sou contra a todos os projetos de vida saudável. Sou fã de farinha de berinjela. Acho que reduzir o consumo de glúten e diversificar a alimentação pode ser muito legal sim! Para algumas pessoas, a retirada da lactose é o caminho. Acredito que, às vezes, é importante falar de nutrientes isolados e que se sentir bem numa roupa bonita é maravilhoso! Digo NÃO aos exageros, às restrições extremadas, a esta ditadura do corpo “sarado”, esculpido à custa da saúde (física e mental).

Permita-se. Viva uma vida verdadeiramente saudável. Busque o equilíbrio. Eduque-se. E, se necessário, reeduque-se. Frustre-se menos. Sinta prazer em se alimentar, mas não faça do alimento sua fonte única de prazer, pois é aí que mora o perigo!

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