Nunca se falou tanto em comida e nunca se comeu tão mal.
Nunca se falou tanto em estilo de vida saudável ( #projetosmil caíram na rede!)
e nunca se devorou tanta junk food.
Parece contraditório, né? Ou não? O mundo endoideceu? Talvez sim! Ou não...
Parece que comer – o simples e instintivo ato de comer, que, desde que o mundo
é mundo, está ligado à sobrevivência (ufa!) e ao prazer – ficou complicado
demais... Embarcamos no que eu chamo de querida neurose (de longe até que é
bonitinha, mas de perto... cruz credo!).
Hoje, não comemos mais comida de verdade, comemos
“nutrientes específicos”. Jargões e
termos científicos que outrora eram “privativos” de profissionais da saúde,
nutricionistas e cientistas ganharam as ruas. Hoje todo mundo “sabe tudo” de
alimentação ou acha que sabe. Fazer dieta virou moda (quem nunca fez ou pensou
em fazer, levanta o dedo aí!). Tomamos leite porque é rico em cálcio (ou não
tomamos, pois lactose “faz mal”...). Não comemos castanha do Pará, e sim,
ingerimos A FONTE de selênio. No supermercado, procuramos o “gluten free”, o “zero
lactose”, o “rico em fibras”, o “enriquecido com vitaminas”... e, de quebra, o “light”, pois não “pesa na
consciência”. Gordura? Nossa (!!!)... essa sim está amaldiçoada até a décima
geração. E pra que comer bifinho se temos o “wheyproteinzinho”, não é mesmo? Vai
uma farinha de feijão branco aí?!
Na boa, tenho saudade dos velhos tempos em que "comíamos comida”. Nós não pensávamos tanto no que comíamos, mas,
incrivelmente e instintivamente, nos alimentávamos bem melhor! Não nos
preocupávamos tanto em sermos magros a qualquer custo para entrar na bendita
calça tamanho zero. Nem ousávamos imaginar que um dia existiria uma tal de “barriga
negativa” (hãn?!), padrão de beleza perseguido por 9 entre 10 mulheres...
Não. Eu NÃO sou contra a todos os projetos de vida saudável.
Sou fã de farinha de berinjela. Acho que reduzir o consumo de glúten e
diversificar a alimentação pode ser muito legal sim! Para algumas pessoas, a retirada
da lactose é o caminho. Acredito que, às vezes, é importante falar de
nutrientes isolados e que se sentir bem numa roupa bonita é maravilhoso! Digo
NÃO aos exageros, às restrições extremadas, a esta ditadura do corpo “sarado”,
esculpido à custa da saúde (física e mental).
Permita-se. Viva uma vida verdadeiramente saudável. Busque o
equilíbrio. Eduque-se. E, se necessário, reeduque-se. Frustre-se menos. Sinta prazer em se alimentar,
mas não faça do alimento sua fonte única de prazer, pois é aí que mora o
perigo!
